Adaptação ao confinamento
A adaptação pode ser definida como a capacidade de um animal ajustar-se a uma determinada situação ou ambiente. Os bovinos são herbívoros pastadores, portanto estão adaptados a viver em condições típicas dos ambientes de pastagens e, por conta disto, podem enfrentar dificuldades quando mantidos em ambiente de confinamento.
confinamento

Para evitar este problema é necessário realizar o planejamento e a condução das rotinas de manejo, levando-se em conta as situações que aumentam o risco de estresse e de falhas de adaptação dos bovinos ao confinamento, dentre elas, destacam-se: o tamanho dos lotes, o espaço disponível por animal, a mistura de lotes, a composição da dieta, ascondições climáticas e a presença constante de pessoas, sons e objetos desconhecidos, além da ocorrência de lama ou poeira nos currais de confinamento.

A capacidade de adaptação dos bovinos ao ambiente de confinamento varia de animal para animal, muitos se adaptam facilmente enquanto outros (felizmente poucos) não conseguem se adaptar, sendo necessário retorná-los às pastagens para que não morram. Entre estes extremos há animais que enfrentam muitas dificuldades de adaptação, gerando um estado de estresse crônico, caracterizado pela alta concentração do cortisol (o hormônio do estresse) na corrente sanguínea por longo período de tempo. O estresse crônico é muito prejudicial, pois aumenta o risco dos bovinos ficarem doentes e de apresentarem ganhos de peso abaixo do esperado.
Alguns animais com dificuldade de adaptação dificilmente são identificados, uma vez que ganham peso, mas não o suficiente para pagar o custo das diárias. Podemos chamar estes animais de “bois ladrão”, pois diminuem a renda do produtor. Assim, é muito importante adotar práticas de criação e de manejo que facilitem a adaptação dos bovinos ao ambiente de confinamento. Mas, atenção, tenha em conta que, mesmo tomando todos os cuidados, alguns animais vão enfrentar dificuldades para se adaptar ao ambiente de confinamento. Portanto, esteja sempre atento, monitore regularmente as condições dos bovinos e atue sempre que necessário para minimizar os riscos de sofrimento dos animais e de prejuízos econômicos!

Indicadores de falhas ou de dificuldades de adaptação

Para identificar os animais que enfrentam dificuldades de adaptação no confinamento é necessário monitorar os animais individualmente! Este monitoramento deve ser diário, dedicando atenção especial para os animais que apresentam vazio fundo, narinas secas e ausência de ruminação, e aqueles que pulam as cercas, se mantêm isolados do grupo, permanecem muito tempo parados no fundo dos currais, não procuram o cocho e vão pouco ao bebedouro.
É normal alguns animais apresentarem estes sinais no primeiro e segundo dias de confinamento. Entretanto, se esta condição durar mais que três dias eles devem ser retirados do curral e levados para um piquete ou para o curral enfermaria, onde devem receber atenção especial e tratamento veterinário quando necessário.

Há animais que atravessam ou pulam as cercas todas as vezes que são colocados nos currais de confinamento. Isto é sinal que eles não estão adaptados e, portanto devem ser levados de volta para a pastagem. Não é recomendado que os animais fiquem fora dos currais de confinamento, eles podem ter dificuldade de acesso à água, atrapalham o fluxo de pessoas e de maquinários e dificultam a estimativa do
consumo de alimentos dos currais.
Há várias estratégias de manejo que podem facilitar a adaptação dos bovinos ao confinamento, entre elas destacam-se: a redução do tamanho do lote, o aumento do
espaço disponível por animal, o oferecimento de sombra, a familiarização prévia dos animais com os novos integrantes do grupo, com o maquinário e com as pessoas e a préadaptação à dieta.
A oferta de uma dieta com maior proporção de forragem aos animais (na forma de feno, silagem ou capim picado) durante os primeiros dias de confinamento pode facilitar a adaptação dos animais ao confinamento, mas esses alimentos não devem ser colocados diretamente no chão, para diminuir o risco de contaminação e o desperdício.

Publicado originalmente no manual Boas Práticas de Manejo – CONFINAMENTO

Fernanda Macitelli
Grupo ETCO, ICAT-UFMT, Rondonópolis-MT
Janaina da Silva Braga
Grupo ETCO, FCAV-UNESP, Jaboticabal – SP
BEA Consultoria e Treinamento, Jaboticabal – SP
Mateus J. R. Paranhos da Costa
Grupo ETCO, Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP

Jaboticabal-SP
Funep
2018


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