Recepção dos animais
O transporte é uma importante fonte de estresse para os bovinos, principalmente em viagens longas, quando eles chegam ao local de desembarque cansados e desidratados.
Recepção dos animais

Realize o desembarque o quanto antes. Mantenha a calma, não grite, não agrida e não use choques para desembarcar os animais.
Evite fazer o processamento dos bovinos logo após o desembarque! Dê a eles a oportunidade para que se recuperem do estresse da viagem, instalando-os provisoriamente em um piquete (com forragem de boa qualidade) ou em um dos currais de confinamento. Quando a recuperação for feita em um dos currais de confinamento, assegure que os animais terão acesso a alimento volumoso de boa qualidade e em quantidade compatível com o tamanho do grupo. Água de boa qualidade deve estar sempre disponível! Considere um período entre 12 e 24 horas para animais transportados por até 6 horas. Para viagens mais longas, amplie o período, mantendo-o entre 24 e 48 horas.

Processamento dos animais e a formação dos lotes

Certifique-se de que está tudo em ordem para realizar o processamento dos animais. Verifique se as instalações estão limpas e em boas condições de uso, se os equipamentos estão em perfeito funcionamento e se a equipe de vaqueiros está bem informada e capacitada para realizar o trabalho de forma segura e eficiente.
Há uma série de recomendações disponíveis (http://grupoetco.org.br/downloads.html) sobre como implementar as boas práticas de manejo para a vacinação, identificação, embarque/desembarque e o transporte de bovinos de corte, que devem ser seguidas durante o processamento dos animais.

Comportamento social e hierarquia de dominância

Antes de decidir os critérios a serem adotados na formação dos lotes do confinamento, tenha em conta que os bovinos são animais sociais e, portanto, vivem em grupos, compartilhando as áreas de alimentação e de descanso.
Esta condição resulta em competição pelo acesso aos recursos, dentre eles alimento, água, sombra e área seca para se deitar, que é minimizado com a formação da hierarquia de dominância.

Os bovinos competem por meio de interações agressivas, que envolvem ameaças, cabeçadas, empurrões, montas, perseguições e brigas. A partir destas interações agressivas os animais passam a se reconhecer individualmente. É com base nesse reconhecimento individual que ocorre a formação da hierarquia de dominância, definindo quem, dentre os bovinos de um mesmo grupo, terá acesso prioritário aos recursos (conhecidos como dominantes) e quem terá que esperar ou ceder o lugar para eles (os submissos).

Após a formação da hierarquia de dominância há redução na frequência e na intensidade dos encontros agressivos entre os animais, diminuindo o estresse e o risco de acidentes. Há também aumento na apresentação de comportamentos sociais positivos, como lamber e brincar com a cabeça. Esses comportamentos são indicativos de que os animais não estão sofrendo com estresse social. Trata-se, portanto, de uma característica de interesse do produtor. Uma vez estabelecida, a hierarquia de dominância tende a permanecer estável, desde que animais desconhecidos não sejam adicionados ao lote.

Atenção! Independentemente da formação da hierarquia de dominância, é necessário assegurar que todos os animais tenham a mesma oportunidade de acesso aos recursos, caso contrário, os submissos poderão ter dificuldades de acesso aos alimentos e às áreas secas e sombreadas para descanso, resultando em menor ganho de peso para estes animais.

 

Publicado originalmente no manual Boas Práticas de Manejo – CONFINAMENTO

Fernanda Macitelli
Grupo ETCO, ICAT-UFMT, Rondonópolis-MT
Janaina da Silva Braga
Grupo ETCO, FCAV-UNESP, Jaboticabal – SP
BEA Consultoria e Treinamento, Jaboticabal – SP
Mateus J. R. Paranhos da Costa
Grupo ETCO, Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP

Jaboticabal-SP
Funep
2018


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