Recepção dos animais
Uma das principais características do confinamento é a redução dos espaço disponível por animal.
currais de confinamento

Uma das principais características do confinamento é a redução dos espaço disponível por animal. Entretanto, devemos considerar que cada um dos bovinos necessita de um espaço mínimo, seu espaço individual, para que possa se sentir seguro e realizar seus comportamentos de manutenção individual normalmente, como se alimentar, ruminar, descansar e caminhar, por exemplo. É comprovado que a redução extrema do espaço disponível por animal nos currais de confinamento causa estresse e compromete o ganho de peso. Além disso, esta situação também aumenta o risco de degradação do ambiente do confinamento, decorrente do aumento na formação de poeira ou de lama.

Quanto maior a disponibilidade de espaço por animal, menor será o risco de estresse social e mais rápido será estabelecida a hierarquia de dominância.

No Brasil é frequente encontrar confinamentos com 10 a 15 m2 de espaço disponível por animal. Entretanto, resultados de pesquisa mostraram que esta condição não é adequada, pois quando os bovinos foram confinados com 24 m2/ animal houve menor formação de lama ou de poeira e os animais ficaram menos estressados e apresentaram melhor desempenho. Portanto, evite manter os bovinos em alta densidade nos confinamentos, aumentando, sempre que possível, o espaço disponível por animal.

Acomodação dos animais nos currais de confinamento

Antes de iniciar a condução dos bovinos para os currais de confinamento, percorra os caminhos por onde eles serão conduzidos, certifique-se de que estão livres de obstáculos e que não há porteiras abertas e nem cercas quebradas. Isso facilita a realização do trabalho e diminui risco de acidentes e de mistura de lotes. Certifique-se também de que todos os animais estão em boas condições de saúde.

Animais com dificuldade de locomoção ou com sintomas clínicos de doenças (p.ex. corrimento ocular ou nasal purulento, tosse, dificuldade de respirar, apatia, inchaços e ferimentos) devem ser apartados do lote e conduzidos para o piquete/curral enfermaria, onde devem ser acompanhados sob orientação de um médico veterinário.

Ao verificar que está tudo em ordem, inicie a condução dos bovinos para os currais de confinamento. Para fazer o deslocamento dos animais, posicione um dos vaqueiros sempre a frente do lote (o “guia” ou “ponteiro”) e um outro atrás, na “culatra”. O “ponteiro” deve assumir a condição de líder, mostrando o caminho e controlando a velocidade de deslocamento, enquanto o “culatra” evita que os animais retornem e os incentiva a caminharem para a direção correta, evitando que animais se separem do grupo.

Conduza os animais sempre ao passo e num ritmo constante. Não grite e não faça movimentos bruscos, isto pode assustar os animais. Lembre-se, bovinos são animais do tipo presa, portanto não se comporte como um predador; isto provoca estresse e pode causar reações de pânico. Tenha em mente que no manejo de bovinos devagar é geralmente mais rápido.

É comum os bovinos empacarem ou diminuírem o ritmo da marcha quando entram nos currais de confinamento. Mantenha a calma, dê um tempo para que eles entendam a situação, e trabalhe os animais da ponta, evitando que eles obstruam o caminho dos demais. Nos casos de animais muito agitados, “afine” o gado nas passagens pelas porteiras.

Após a entrada de todos os bovinos no curral de confinamento, feche a porteira e permaneça no local, observando o comportamento dos animais. Se estiverem todos calmos, a acomodação dos animais estará finalizada.

 

Publicado originalmente no manual Boas Práticas de Manejo – CONFINAMENTO

Fernanda Macitelli
Grupo ETCO, ICAT-UFMT, Rondonópolis-MT
Janaina da Silva Braga
Grupo ETCO, FCAV-UNESP, Jaboticabal – SP
BEA Consultoria e Treinamento, Jaboticabal – SP
Mateus J. R. Paranhos da Costa
Grupo ETCO, Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP

Jaboticabal-SP
Funep
2018


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