Rotinas de monitoramento
Estabeleça uma rotina para monitorar as condições das instalações do confinamento e dos bovinos nelas alojados. Este trabalho deve ser feito por vaqueiros experientes, capazes de identificar elementos do ambiente e sinais apresentados pelos animais que indiquem situações de risco para sua saúde e desempenho.
Rotinas de monitoramento

As primeiras duas semanas de confinamento são caracterizadas como período de adaptação e, portanto, há maior risco de ocorrência de problemas. Assim, durante este período, é recomendado realizar o monitoramento duas vezes ao dia, reduzindo para uma visita diária a partir da terceira semana.
Lembre-se, quanto mais cedo for identificado um problema, maior é a chance de sucesso em resolvê-lo. Portanto, quanto mais frequente as visitas de monitoramento, melhor. Faça-o com muita atenção e cuidado. Dê atenção especial para o monitoramento do consumo de água e alimento, das fezes, da saúde e do comportamento dos bovinos.

Monitoramento do consumo de alimentos

O monitoramento do consumo de alimentos deve ser realizado diariamente. Uma das medidas a ser feita é a leitura de cocho. Esta avaliação deve ser realizada antes do primeiro trato da manhã atribuindo-se notas, que geralmente variam de 0 a 5, em função da quantidade de alimento no cocho em cada curral do confinamento, sendo “0” quando o cocho estiver vazio e “5”, cheio.
Esses registros são fundamentais para ajustar a quantidade de alimento a ser oferecida diariamente para cada um dos currais de confinamento. Siga as recomendações do nutricionista sobre o número de tratos e a quantidade de alimento a ser fornecida diariamente.
Atenção! Para um monitoramento eficiente do consumo de alimentos, é indispensável avaliar também a condição e o comportamento dos animais. Por exemplo, se considerarmos apenas a leitura de cocho, ao observarmos um cocho vazio (nota “0”), vamos interpretar que a quantidade de alimento fornecido no dia anterior foi menor do que a necessária e que os animais estão com fome. No entanto, se a maioria dos animais estiver deitada, calma, com rúmen cheio e ruminando, pode ser que o alimento tenha sido consumido há pouco tempo, e que não se deve aumentar a quantidade oferecida no dia anterior.
No outro extremo, quando o cocho estiver cheio (notas “4 ou 5”) há duas possibilidades, na primeira (e mais provável) indica que a quantidade de alimento fornecido no dia anterior foi maior que a capacidade dos animais ingerirem, neste caso, os animais estão saciados, mas há desperdício de alimento. Por outro lado, também pode indicar que há algum problema, por exemplo: o alimento pode estar deteriorado ou contaminado, ou ainda o acesso ao cocho pode estar sendo comprometido pela presença de outros animais como cobras, tatu, ratos e outros.
Nestes casos, os animais geralmente apresentam sinais indicativos de fome (p. ex. vazio fundo e a permanência em pé na área próxima ao cocho), mesmo o cocho estando cheio.
A situação ideal é que ao amanhecer os cochos estejam com uma fina camada de alimento (escore 1) e que todos os animais estejam calmos e com o “vazio” cheio, com menos de um quarto deles (25%) esperando na linha do cocho, prontos para se alimentarem novamente.

 

 

Lembre-se sempre que bovinos confinados dependem exclusivamente do alimento oferecido no cocho para se alimentarem, então quando estão com fome, a maioria permanece agitada, em pé na área de cocho esperando o trato, alguns lambem o cocho vazio e, quando o alimento é ofertado, comem com voracidade e aumentam a frequência de comportamentos sociais negativos (p. ex. cabeçadas, deslocamentos e tentativas de monta). Bovinos gostam de rotina! Use isso a seu favor, distribua o alimento sempre nos mesmos horários e na mesma sequência. Certifique-se também de que o alimento está distribuído uniformemente por toda a linha de cocho.
Registre todas as informações relacionadas ao consumo de alimentos (dia e hora da avaliação, nome do avaliador, condições climáticas, número do curral, escore do cocho, comportamento da maioria dos animais e observações relevantes sobre o alimento e sobre elementos estranhos que possam ser encontrados dentro e fora dos cochos).
Lembre-se que em dias muito quentes ou chuvosos é esperada uma redução na ingestão de alimentos.

Lembre-se que alterações no consumo de alimentos podem também ocorrer em função de falhas estruturais e de manejo, portanto, atenção aos seguintes pontos:
• Limitação de espaço de cocho por animal.
• Água em quantidade insuficiente.
• Bebedouros e cochos sujos ou com dificuldade de acesso.
• Baixa qualidade dos alimentos (p. ex. mofados ou estragados).
• Alterações na qualidade e composição da dieta.
• Alterações nos horários de fornecimento da dieta.

Monitoramento das fezes

O monitoramento das fezes serve para avaliar o aproveitamento da dieta, bem como auxiliar na avaliação da saúde dos animais. Este monitoramento é feito com a aplicação de escores, variando de 1 a 3, considerando a consistência média dos bolos fecais presentes no piso de cada curral, como exemplificado nas fotos abaixo. O ideal é que apresentem o valor intermediário, ou seja, as fezes devem ser pastosas, formarem montes e ao caírem no chão devem fazer um barulho semelhante ao de “bater palmas”. A avaliação das fezes pode ser realizada no mesmo horário da leitura de cocho ou durante a realização da ronda sanitária.
Se os pisos dos currais dificultarem a observação das fezes moles, observe se há vestígio de diarreia, observando a parte traseira dos animais. Fezes muito moles ou duras podem sinalizar problema na formulação da dieta ou nos ingredientes. A baixa ingestão de água também faz com que as fezes dos animais tenha um aspecto mais duro.
Ao observar currais com grande ocorrência de fezes moles ou duras por dois ou três dias, comunique o responsável pelo confinamento para que juntamente com o nutricionista possam avaliar a dieta ou qualquer outro fator capaz de afetar o consumo e/ou a digestão dos alimentos.

Publicado originalmente no manual Boas Práticas de Manejo – CONFINAMENTO

Fernanda Macitelli
Grupo ETCO, ICAT-UFMT, Rondonópolis-MT
Janaina da Silva Braga
Grupo ETCO, FCAV-UNESP, Jaboticabal – SP
BEA Consultoria e Treinamento, Jaboticabal – SP
Mateus J. R. Paranhos da Costa
Grupo ETCO, Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP

Jaboticabal-SP
Funep
2018


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